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February 19th, 2009 Turismo com motivação sexual cresce
Turismo com motivação sexual cresce. Novo destino: Leste Europeu.
10 milhões de crianças exploradas sexualmente. Segundo Marco Scarpati, diretor da ECPAT Itália “alguns países estão mais atentos ao fenômeno, entretanto os agressores também estão utilizando novas estratégias”.
Nove milhões de meninas, um milhão de meninos. Negócios da ordem de 250 bilhões de euros, 80 mil viajantes: jovens, cultos e de classe média que atualmente saem da Itália (país que lidera a lista dos abusadores) a procura de sexo proibido. Números tão enormes que parecem mentira. Entretanto estes são os dados do mais recente relatório apresentado pela ECPAT Itália na BIT – Bolsa Internacional de Turismo de Milão, em 19/02/2009. Objetivo: Lançamento de uma campanha patrocinada pela Associação de Operadores Turísticos italianos “ASTOI” do Projeto Internacional Offenders be Aware! (Abusadores, cuidado).
“No último ano, alguns fatores mudaram: os abusadores usam novas estratégias e atacam sempre em localidades mais próximas, inclusive na Europa”. Marco Scarpati, advogado e professor universitário, dedica-se há muitos anos a defesa dos direitos das crianças. Ele é o presidente da ECPAT Itália (www.ecpat.it), Agencia Nacional de uma rede existente em 70 países. Marco Scarpati esteve no RJ em novembro último, participando do III Congresso Mundial sobre a Exploração de crianças e adolescentes. “Lá pudemos constatar que alguns países estão mais atentos ao fenômeno”. No entanto a tendência mundial continua crescendo segundo Scarpati. É necessário avaliar a relação entre os números desconhecidos e os casos denunciados. É verdade que as denúncias têm aumentado afinal de contas são muitos anos de campanhas e atividades de sensibilização.
É também verdade que se por um lado a justiça fecha o cerco, por outro, os abusadores conseguem encontrar escapatórias para agirem livremente. Novas estratégias na escolha dos destinos, fugindo das rotas tradicionais e indo para destinos onde encontrem autoridades prontas a fechar um olho, pais indignos, hoteleiros complacentes e, acima de tudo, situação de pobreza. Desse modo, a Europa, que até então era basicamente ponto de origem, transformou-se em terreno de caça. A República Tcheca, por exemplo, é hoje conhecida pela assustadora quantidade de material pornográfico infantil colocado na internet. Nos postos de gasolina ao longo das estradas e nas paradas de ônibus, mulheres oferecem seus próprios filhos. Muitas denúncias são feitas pelos caminhoneiros. Os clientes são em sua maioria, alemãs, austríacos, italianos e americanos. Crianças oferecidas por preço que variam de € 5 a € 25. Na Rússia a situação não e diferente, em São Petersburgo, crianças viciadas trocam sexo por droga. Não muito longe está o Marrocos, destino histórico onde problemas econômicos se somam a intolerância à homossexualidade. Dessa maneira os abusadores se aproveitam.
Hoje, o turista com motivação sexual sabe em quais países a polícia é mais eficiente para que possa agir com precaução. Evita hotéis e aluga casas, permanece por mais tempo na localidade criando uma proximidade com as vítimas e as famílias e volta para seu país de origem apenas quando o visto expira. Na realidade não são turistas, mas viajantes do sexo. Na Tailândia, eles são numerosos, bem como em Bali, no Camboja, Vietnã, África e América Latina. “Graças ao sistema da polícia européia, hoje é possível controlar os Frequent Flyers, tentando entender porque, de repente, algumas cidades se tornam ”populares”. E rápido se descobre que a recente abertura de um hotel condescendente com tais práticas”. Segundo Scarpati é melhor não dar muitos detalhes, “pois isso ajudaria, os viajantes do sexo que já possuem uma rede de informação para passar seus dados. Em alguns casos a própria polícia tem que se passar por pedófilo para chegar aos agressores”.
Existem outros dados no relatório ECPAT que causam horror só em pensar, são aqueles referentes às conseqüências mais visíveis e destruidoras pelos abusos cometidos pelos adultos que agridem aqueles que não sabem se defender. 300 mil novos casos de AIDS/ano, 4 milhões e meio de crianças infectadas pelo Papiloma Vírus, 500 mil pela Hepatite C, isso em países onde uma simples crise de diarréia pode levar a morte. Mais de 2 milhões de abortos. 1,64 milhões de tentativas de suicídio juvenil. 2,5 milhões de estupros, como se nesta história negra cada relação sexual já não constituísse uma violência. Seria necessário saber multiplicar por mil, cem mil, um milhão o rosto dos próprios filhos, netos, amigos para entender a amplitude desses números. Na Itália, algo está mudando, aliás, muita coisa, na verdade. A Ministra da Igualdade de Oportunidades, Mara Carfagna, está dando muita atenção ao tema; esteve no RJ acompanhada de uma força tarefa de funcionários públicos e policiais. O seu ministério está realizando o plano de ação que idealizamos em Estocolmo em 1996… Mas há um problema no que diz respeito ao projeto de Lei que trata da interceptação.
Segundo o advogado Marco Scarpati em todos os processos é fundamental a denúncia telefônica. É impossível esperar que se tenham maiores elementos para entrar em ação. Não estamos falando de um roubo de maçã, mas de crianças. Cada dia perdido é um dia de morte, por isso, as associações do setor turístico lançam um apelo a toda à sociedade. Todos aqueles que quiserem fazer parte podem entrar em contato com a ECPAT. Não se trata de uma questão política, queremos apenas que seja dada autoridade para que a magistratura mande pedófilos para a prisão. Só assim faremos com que as estatísticas do horror parem de crescer.
Fonte: Il Corriere della Sera
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